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G'ANDA SEMANA!

Digam-me cá uma coisa, daqui a nove dias há eleições? Bem me parecia...

Esta semana deu para tudo, g'anda semana!


O Top está, de longe, com o "Gato Fedorento" a esmiuçar soberbamente a política nacional.


De resto houve caixinhas com "umas notinhas" num vão de escada junto a uma (ou duas? não percebi bem) secções do PSD, ou, como se insinuou, seria mesmo num vão de escada ao lado da sede distrital de Lisboa? Não percebi bem nem quero perceber, li na diagonal e mesmo assim estupefactei.
Já os videos que continham as macabras denúncias vi/ouvi com alguma atenção.
Procurei esmiuçadamente as letrinhas que advertem: "Conto baseado num romance de XXX - qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência". Não encontrei.

Vamos lá a ver... Até posso acreditar que tenha havido um qualquer pagamento, não sei de quem a quem, e quanto a razões posso apenas sofismar (e não estou para isso).
E quando se teria passado isto? Também não percebi muito bem.


Agora... Essa do:
-"Você é que faz os pagamentos? Olhe, já votei"
-"Ah sim? Então tome lá 25 euros
"...

Vou blasfemar!


Então e o resto do diálogo? Sim, o:

- "
Já votou? Hum... Em quem? Veja lá se votou em branco... Não escreveu palavras feias no boletim? Tem a certeza? Olhe que votos nulos não pagamos"

E também há o antes:


"
Você quer ganhar 25 euros? Então no dia tal vai ali abaixo e vota no XY e depois vai à loja ao lado que está lá quem lhe pague".

- "
Só isso? E posso levar a minha prima, a minha avó e o Toni?"

-
Se eles são filiados pode, se não são não pode, e também não pode contar a ninguém"

-"Está bem esteja descansado, é um segredo só nosso"


Ó céus! Se não fosse eu ser uma pessoa de inabalavel boa-fé diria que estamos em época pré eleitoral (logo a seguir à "Silly Season" mas com agravamento do estado do mar e chuva lá mais pr'á tarde)


Adiante.


Apesar de esta ser uma novela gira não é a transmitida em "horário nobre"; aí a revista Sábado teve azar, o DN arranjou uma intrigalhada maior e quanto maior a intrigalhada maior a audiência.



Em Agosto, plena "Silly Season-mas-não-tanto-quanto-agora", veio à baila, melhor diz
endo, a PÚBLICO, que se suspeitava no Palácio de Belém que haviam escutas, segundo uma «fonte da Casa Civil do PR.»
O povo permaneceu calmo, um estou-me nas tintas generalizado e fazia muito calor.
O "timing" foi errado. José desdramatizou, e bem, dizendo que se tratava de «disparates de verão».
Ninguém escarafunchou no - QUEM acha que há escutas - nem tão pouco no - QUEM pode estar a escutar.

Pior, ninguém levantou a questão COMO é possível que hajam escutas não autorizadas no nosso país, ou então QUEM autorizou e com que fim
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(Aguenta aí pela campanha que a gente já cá vem).

Há que reconhecer que isto de já não haver O "jornal de sexta" desanimou muito os fins de semana nacionais; a Sexta-feira tornou-se um "ex libris" da comunicação social, anda tudo a ver quem ocupa o lugar do "lança broncas mediáticas" e hoje o lugar coube ao DN.

Nesta novela há vários factos interessantes, a parte chata é surgirem dentro dos "valores normais para a época". Vejamos:

O PR suspeita de que está a ser espiado - é grave.

O PR suspeita de que está a ser espiado pelo Governo - é gravíssimo

O PR suspeita de que está a ser espiado mas não sabe por quem - é chato


O PR NÃO suspeita de que está a ser espiado, tem a certeza - então e
agora?
O PR NÃO suspeita de que está a ser espiado nem tal lhe passa pela cabeça - é de mestre


O PR está a ser espiado pelo governo - é gravíssimo

O PR está a ser espiado pelo SIS - é muito grave

O PR está a ser espiado sabe-se lá por quem - é hilariante

O PR NÃO está a ser espiado - deixem-se de merdas mas é de mestre

O PR está mesmo a ser espiado - CHAMEM O CSI, JÁ!


CHAMEM O CSI, JÁ!
Circundem o Palácio de Belém com fita amarela, revolvam moveis, chão, quadros, paredes por dentro e por fora, levem os cães farejadores, analisem as moléculas do ar, levem os computadores todos, disquetes, cd's e dvd's.
FAÇAM A REVOLUÇÃO.



Agora a parte importante:


O DN teve acesso a um e-mail entre dois jornalistas do PÚBLICO

É violação de correspondência.


O DN publica correspondência privada entre dois jornalistas de outro jornal.


O DN, tendo conhecimento de uma, suposta, situação tão grave quanto esta não a denuncia à Justiça, à Procuradoria Geral da República (que, se bem me lembro, também já lá teve umas escutazitas sob o soalho do gabinete do Procurador). É dúbio.


O DN não diz quem é a sua fonte; está no seu direito MAS está indubitavelmente a sobrepor os seus direitos de órgão de informação aos direitos dos portugueses à informação. E esta não é exactamente uma questão mal amanhada de vão de escada.

Tanto mais que a direcção do DN afirma que se publicou correspondência privada foi por considerar o seu conteúdo «de interesse nacional».
Ok, assim sendo, cadê o resto? Quem forneceu as informações ao DN, quem sabe o que se passou podendo prestar algum esclarecimento sobre o assunto? E porquê exactamente agora?


Os senhores do DN que me desculpem mas falta aqui qualquer coisa, em nome do "interesse nacional". (Ou talvez lá para segunda-feira, sempre se vendem mais uns jornalecos, as novelas são em capítulos bem se entende por quê.)

E depois há a forma como o DN apresenta a suposta notícia, assim:

«Revelação
Homem forte do presidente encomendou 'caso das escutas'»
Encomendou? Bem, no corpo da notícia a versão é menos travessa:

«'E-mail' denuncia que Fernando Lima, assessor de Cavaco, entregou ao 'Público' um 'dossier' sobre as suspeitas de espionagem do Governo a Belém. »

Hum... A ser verdade, não é bem a mesma coisa, pois não? Em Abril de 2008...

Anyway e para finalizar,

quem põe bem o dedo na ferida é o jornalista
Carlos Enes, rapaz da minha preferência por várias razões, no final da sua análise publicada hoje com o título «A ENCOMENDA»;

diz ele:


«A notícia do "DN" é a materialização que faltava de um facto que porventura queria ridicularizar, no que à Presidência da República possa dizer respeito: há escutas e violação de comunicações privadas em Portugal, feitas à margem da lei e politicamente orientadas

Tudo o resto é conversa, digo eu.



Diz José
«O meu dever é concentrar-me na campanha. Eu li a notícia com muita surpresa mas essa matéria pode esperar.»

Ó José, o seu dever? O seu dever enquanto quê e para com quem?

E que relevância tem «essa matéria» face à Sua campanha? Convenhamos...




Diz o PR
«Durante este período eleitoral eu evito fazer comentários sobre matérias que possam ter conexões sobre questões político-partidárias, por isso eu vou ficar em silêncio; mas depois das eleições eu não deixarei de tentar obter mais informações sobre questões de segurança»


Ficamos à espera Senhor Presidente.

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