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POR DENTRO DA MANIF.

Alguém, que apenas conheço pelos comentários, quanto a mim pertinentíssimos, que, com alguma frequência, deixa ao que aqui publico, ofereceu-me a sua opinião, comentando o meu "post" "José Sócrates vai à merda" e referiu-se à manifestação de ontem, 12 de Março.
Quando comecei a responder-lhe apercebi-me de que estav
a a expor a minha visão do que se passou ontem dentro da manifestação de Lisboa, algo de que queria falar aqui.
Tomei a liberdade de copiar o comentário de Laurus nobilis e de, juntamente com este, publicar a minha resposta.

Fica aí.


Laurus nobilis disse...

«Quanto ao desígnio principal deste artigo, não posso estar mais de acordo.

Quando ouvi falar desta manifestação pela primeira vez pensei que, finalmente, a sociedade estava a reagir, de uma forma sã, com um propósito nacional, supra- partidário e paralelo aos poderes instituídos.

Hoje, vi o resultado... Punhos no ar, José Afonso, plataformas, cravos e, para a televisão, o cenário habitual...

Ou não puderam ou não quiseram...

A partidocracia já tomou conta... pelo menos infiltrou-se e ditou as regras do espectáculo mediático...

Esqueçam!

Sou monárquico desde que me conheço como pessoa e, do presidente, não tenho grande impressão, embora o ache sério qb.

Estranhamente, desta vez, até quase que gostei…»
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Caríssimo Laurus nobilis,

Nem te vou perguntar, obviamente não estiveste na manifestação. Ok.
Eu estive; levei quase 3 horas do princípio da Av. da Liberdade até entrar no Rossio. Depois estive uma boa meia-hora, ou mais, frente ao Café Nicola a observar.
Continuava, inexplicavelmente, a entrar gente no Rossio, a entrar, a entrar... Claro que muitos dos que ali chegavam se dirigiam, compreensivelmente, ao primeiro sítio onde se conseguissem sentar, comer, beber.

No centro do Rossio, e também logo à entrada frente ao Teatro Nacional, pelo que me apercebi, "comiciava-se".
No centro tinham montado arraiais os "animadores"; os "homens da luta", a música, alguns discursantes inflamados que mal se ouviam para além do círculo que os rodeava.

Quando cheguei a casa estive a ver, na net, imagens que haviam passado durante a tarde nas TV'S e, por razões várias, tive a sensação de que tinha estado numa manifestação diferente...

Obviamente que nestas coisas de manifs. e comícios não há quem bata a esquerda - e quando falo de esquerda não falo do PS sequer; esses não são coisa alguma - entre a pretensão e a prática vai um abismo que não conseguem, nunca conseguiram, preencher com as suas saladas de ideologia e acção.
A esquerda tem uma capacidade de acção, mobilização e intervenção que, à excepção de momentos isolados de explosão social, encostam os outros à existência refilona mas entediante das águas mornas.

No entanto...

Como referi, à excepção de momentos isolados de explosão social. Ontem foi isso que se passou, as pessoas transbordaram, estravazaram. O povo tem uma expressão que utilizo com frequência e que descreve bem este tipo de sentimento e que ontem preenchia a Av. da Liberdade: "Corno e aperreado é demais para um homem só".

Felizes, muito felizes, estariam os votantes do BE, do PC e afins, se o BASTA que ecoou ontem por Lisboa, Porto e outras tantas cidades fosse uma representação da sua implantação. Não foi.

Ao contrário daquilo que a maior parte dos noticiários apresentou, a enorme massa que veio para a rua não estava partidarizada, estava chateada, farta, revoltada. E não só jovens, longe disso, muitas pessoas mostravam ter mais idade do que o limite da paciência para manifs. faria supor que ali se encontrassem; os limites da sua paciência haviam de facto sido ultrapassados mas não os de se manifestarem na rua, outros limites.

Que a esquerda faz mais barulho, canta mais alto, é mais intervencionista... Claro que é, indiscutivelmente - e numa coisa tens toda a razão: "ditou as regras do espectáculo mediático...". Sem dúvida mas não se "infiltrou", estava lá e soube fazer-se ouvir. E só. Esteve presente, integradamente, com a majoríssima parte de quem saiu à rua.

Não vás por aí, não lhes faças o favor de deixares transformar uma manifestação sem bandeiras partidárias, sem palavras de ordem, sem convocatórias partidárias, nem qualquer outra coisa que não uma manifestação de vontade e opinião de uma imensa amálgama de gente, de diferentes ideologias e posicionamentos políticos, com apenas uma coisa em comum: não suportarem mais a situação política actual em silêncio.
Eu sei, eu saí, estive e fiquei. Foi assim.

E se amanhã houver que ir para a rua de novo irei, sem me deixar complexar e sem oferecer o meu protesto à esquerda, à direita ou ao diabo - protesto pelo meu país, por mim e pelo futuro do meu filho - numa palavra, pelo futuro.









































EU SENTI-ME TÃO BEM, FINALMENTE, QUE ACABEI O DIA ESTRAVAZANDO A MINHA LIBERDADE, DANÇANDO SOB UM CHOVISCO COM UM DESGRAÇADO ROMENO, UMA AUTORIDADE EM PRECARIDADE, QUE, SABE DEUS COMO E POR QUÊ, VEIO PARAR A LISBOA. É BOM SENTIRMO-NOS VIVOS.




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4 comentários:

Laurus nobilis disse...

Antes de mais, não posso deixar de ficar sensibilizado… Efectivamente, não estive lá; se assim é e acredito que seja, a deturpação televisiva foi flagrante.

Acredito que é possível congregar à volta de um desígnio verdadeiramente nacional, muitos dos tais de que já estão fartos, sem que sejam necessários os adornos do costume. Foi por isso que tive alguma esperança… Após este artigo ainda me resta alguma e, eventualmente, se houver outra qualquer movimentação deste tipo, passarei por lá...como observador.

O que eu gostava era que as máquinas partidárias sentissem que as pessoas já estão saturadas deles e que uma nova lógica terá de rapidamente de imperar nos lugares chave do Estado.

Quando vejo alguns dos actuais políticos, lembro-me sempre do fim da monarquia constitucional e da 1ª república; não foi por acaso que o Estado Novo se chamou “Novo”.

Agora, sem revoluções e ditaduras, precisamos rapidamente de um qualquer “Novo”…

O discurso do presidente foi uma aproximação ao “Novo”… Pelo menos, pareceu-me…

Teremos de dar algum tempo ao tempo, mas não pode ser muito. Face a este seu artigo, espero então que o rastilho já tenha sido aceso…

A ver vamos… Até breve.

Eduardo disse...

Não podia estar mais de acordo. Finalmente aconteçeu uma manifestação de protesto das pessoas desde nosso país, sem dirigentes e palavras de ordem, contra o estado em que uma classe política irresponsável levou toda uma Nação.

Maria Eduarda disse...

Linda ! Sem que dançaste e encantaste... o João esteve cá ontem contou-me da vossa participação mas muito especialmente da tua. Beijinhos. Eduarda

Alex disse...

Olá Maria!

Já sabes como é o João, exagera sempre um bocadinho para o meu lado(mais vale cair em graça...) E ele estava a viver a primeira manif da vida dele (mais vale tarde...)

Olha lá, e tu? Que raio tinhas tu para fazer sábado à tarde? E os teus descendentes da geração à rasca? Cansados?

E-QUEM-NÃO-SALTA-É-DO-GOVERNO-OLÉ-OLÉ!

Xi-coração