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VÁ LÁ, SÓ MAIS 5 MINUTOS...

Todas as manhãs em que acordo com despertador, reviro-me, aconchego-me, abro os olhos só um bocadinho e rosnico entre a voz e o pensamento - só mais cinco minutos...
A velocidade a que me desloco depois entre sair da cama e arrancar com o carro varia consoante a quantidade de "só mais cinco minutos" com que prevarico repetidamente.

Acho que José, o Sócrates, também é deste clube...
Além de, como toda gente sabe, chegar atrasado a todo o lado, continuamente, o que é um bom indicador, o homem deve estar mesmo convencido de que se lhe derem mais cinco dias, cinco semanas ou, vá lá, 5 meses, conseguirá dar a volta ao país (não... para o outro lado...) e provar a saciedade que ainda está para nascer um primeiro-ministro tão bom quanto ele. É só concederem-lhe um bocadinho mais de tempo e ele consegue tirar "o coelho da cartola", quase literalmente... se bem me entendem.
2005 -> 2011 não dá, não chega, são números ímpares e só pode dar azar... Só lhe falta um bocadinho assim, tipo "danoninho", para ele não ter de arcar com as culpas da crise internacional.

No "post" de sexta-feira" passada relembrei a novela que se desenrolou em torno das negociações da viabilização o Plano e Orçamento para 2011, em Outubro de 2010.
O "intocável" e "não negociável" afinal foi revisto; teve de ser.


Hoje, findo o Conselho Nacional do PS onde se tratou de candidaturas, e recandidaturas, a secretário-geral, a rapaziada do executivo foi convocada a interromper o fim-de-semana e pela alvorada das 17 horas lá foi a a um Conselho de Ministros extraordinário.
(Eu diria mesmo mais, um Conselho de Ministros extraordinários.)

Foram rever, ali num bocadinho de um fim de tarde de domingo, as medidas do PEC4 a apresentar amanhã na A.R.
Quem é bom, é bom e qualquer bocadinho chega para rever as contas do país, basta saber o que se está a fazer. Há que dourar um bocado a pílula daqui, acrescentar um pouco de açúcar dali, ceder naquela coisa que nem é particularmente importante de acolá (Ó Teixeira, quem é que tinha posto essa alínea aí, não me lembro...) e pronto, isto está com melhor aspecto, não podem dizer que não demos o nosso melhor. 'Bora lá jantar...

«Lisboa, 20 mar (Lusa) -- O Conselho de Ministros aprovou hoje a proposta do Governo de actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para 2012/2013 e vai entrega-la no Parlamento na segunda-feira, anunciou o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira.

Em conferência de imprensa, no final de uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, que teve início às 17:00 horas, Pedro Silva Pereira reiterou que "o Governo permanece inteiramente disponível para dialogar com todos os partidos da oposição aos custos e à aventura de uma crise política".

"Como, aliás, está previsto na lei, mesmo depois da discussão na Assembleia da República, e até ao último momento do envio do PEC para Bruxelas, em sua versão final, podem ser introduzidas todas as alterações", referiu.

Ao aprovar hoje a sua proposta de PEC para a apresentar no Parlamento na segunda-feira, "o Governo corresponde à vontade que foi manifestada pelos partidos da oposição", justificou. »
In EXpresso on line.
Verdade seja dita, não é que a rapaziada do executivo não se esteja a esforçar pelos seus "cinco minutos", os tais que irão fazer toda a diferença. Isso das eleições é que não vinha nada a calhar... Só por causa de"criar" uma crise política, claro, logo agora que isto anda a correr tão bem.
(iIsso de andarmos, semana sim, semana não, a vender a Dívida muito acima dos 7% não quer dizer nada, sabem lá se não está a massa a render a 9 ou 10% num esconderijo para fazer uma surpresa... até pode ser...)

É que mesmo com a folga orçamental de 800 milhões de euros anunciada em finais de Janeiro passado;
Mesmo com a "execução orçamental a correr bem, para não dizer muito bem", conforme anunciou José no mesmo dia em que eram comunicadas ao país as novas medidas do PEC4;
Ainda que esteja dito, redito e reiterado que Portugal não precisa de ajuda económica externa;
Mesmo assim, se vierem eleições antecipadas serão "sem dúvida" a entrada do FMI...

E vai daí disse ontem José, na apresentação da moção de recandidatura a secretário-geral do Partido Socialista:
"Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI"

A sério?

Hoje, para além de não ter sido acordada pelo malfadado despertador, de não ter negociado comigo mesma a esmola de "mais cinco minutos", até acordei a quase simpatizar com o FMI. Vá-se lá entender...


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AUXILIAR DE MEMÓRIA

Agora, que José apresenta a sua moção de recandidatura a secretário-geral do PS, pareceu-me bem relembrar o seu discurso de apresentação moção de recandidatura a 18 de Janeiro de 2009. Sem comentários.




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Sem comentários: